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Astrologia

Marte conjunção Júpiter em Leão (16/11/2026): um rito de fogo para coragem e generosidade

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Na madrugada de segunda-feira, 16 de novembro de 2026, às 03h24 (horário de Brasília), Marte alcança Júpiter a 25°53′ de Leão. Dois dias depois, o Sol, em Escorpião, forma quadratura com Júpiter e, no dia seguinte, com Marte. O rito proposto aqui tem três tempos: acender no dia 16, ajustar a escala no dia 18 e ajustar o impulso no dia 19.

Em outubro, já em Leão, Marte formou outro aspecto, tratado no artigo Marte trígono Saturno em 16/10/2026: coragem com estrutura para agir com constância.

O que é Marte conjunção Júpiter

Conjunção é o aspecto em que dois astros ocupam o mesmo grau do zodíaco, vistos da Terra. A conjunção anterior entre os dois aconteceu na quarta-feira, 14 de agosto de 2024, em Gêmeos, e a próxima será na quinta-feira, 19 de julho de 2029, em Libra.

Na astrologia, Marte é associado à ação e à coragem, e Júpiter ao crescimento e à generosidade. Ptolomeu, no Tetrabiblos, põe Júpiter entre os planetas benéficos e Marte entre os maléficos. William Lilly, em Christian Astrology, chama Júpiter de “a maior fortuna” e Marte de “a menor infortuna”, mas diz que o Marte bem dignificado, isto é, forte pelo signo e pela posição no mapa, é “invencível” em feitos de guerra e de coragem (tradução nossa). Leão, signo de fogo, é associado à expressão pessoal e ao desejo de ser visto, e há quem veja na conjunção a soma de impulso e confiança, com risco de exagero.

O Nodo Sul no mesmo grau

O encontro acontece colado ao Nodo Sul da Lua. No instante da conjunção, ele está a 25°16′ de Leão pelo cálculo médio e a 25°09′ pelo cálculo verdadeiro, a menos de 1° dos dois planetas. Júpiter passou pelo Nodo Sul na quarta-feira, 11, ou na quinta-feira, 12 de novembro, conforme o cálculo, e Marte, no sábado, 14.

Na astrologia moderna, o Nodo Sul, que a tradição chama de Cauda do Dragão, é associado ao hábito e ao que pede para ser solto. Lilly escreve que, nas consultas que atendia, a Cauda junto de um planeta benéfico trazia “muitos tropeços e perturbações” antes de uma conclusão, e muitas vezes o assunto dava em nada, a menos que os significadores estivessem fortes (tradução nossa). Há quem leia este encontro como convite a separar a coragem nova da vaidade antiga.

Datas em horário de Brasília

Júpiter está em Leão desde a terça-feira, 30 de junho, às 02h52, e Marte, desde o domingo, 27 de setembro, às 23h49. Na segunda-feira, 16 de novembro, às 03h24, acontece a conjunção a 25°53′ de Leão. Na quarta-feira, 18 de novembro, às 06h39, o Sol a 26°04′ de Escorpião faz quadratura com Júpiter. Na quinta-feira, 19 de novembro, às 14h49, o Sol a 27°25′ de Escorpião faz quadratura com Marte. Na terça-feira, 24 de novembro, às 11h54, vem a Lua Cheia em Gêmeos. Na quarta-feira, 25 de novembro, às 20h37, Marte entra em Virgem. No sábado, 12 de dezembro, às 21h57, Júpiter fica retrógrado a 27°01′ de Leão. Marte fica retrógrado no domingo, 10 de janeiro de 2027, já em Virgem, e volta a Leão no domingo, 21 de fevereiro.

As duas quadraturas do Sol

Quadratura é o aspecto de 90°, associado na astrologia a atrito e ajuste. O rito usa cada quadratura como ponto de conferência. A do dia 18 pergunta pela escala: a promessa feita no dia 16 cabe no tempo, no dinheiro e na energia que você tem? A do dia 19 pergunta pelo impulso: o calor vai virar ação ou briga?

O encontro chega depois da Lua Nova em Escorpião, no dia 9, e do fim de Mercúrio retrógrado em Escorpião e Vênus retrógrada em Escorpião, na sexta-feira, 13. Uma intenção guardada na Lua Nova pode ganhar aqui o seu ato de coragem.

Dicas de ritual

No Hemisfério Sul, novembro é primavera, e a Roda do Ano já passou por Beltane, festa do fogo e da vida em crescimento. O rito usa uma vela como fogo do coração e trabalha duas qualidades que a tradição astrológica associa ao par: a coragem de Marte e a generosidade de Júpiter.

Você vai precisar de uma vela amarela, dourada ou laranja, um pires firme, um abafador, papel, caneta, um copo de água e, se quiser, um ramo de alecrim ou uma folha de louro. Lilly lista as duas plantas entre as do Sol, regente de Leão. Monte o altar com a vela sobre o pires, a planta ao lado e a água por perto.

Quanto à ética, o rito trata das suas próprias ações; não faça pedidos para vencer ou dobrar a vontade de outra pessoa. Mantenha a vela à vista e longe de cortinas, crianças e animais.

Sobre o horário, não é preciso acordar de madrugada. O primeiro tempo pode ser feito ao longo do dia 16, de preferência depois das 03h24; o segundo, no dia 18, depois das 06h39; e o terceiro, no dia 19, depois das 14h49. Scott Cunningham, no Guia essencial da bruxa solitária, dedica um capítulo ao planejamento de rituais e parte da ideia de que quem pratica sozinho pode criar e adaptar os próprios ritos.

Passo a passo

Primeiro tempo: acender (16 de novembro, 15 a 20 minutos)

  1. Silencie o celular e respire fundo três vezes.
  2. Acenda a vela e diga:

“Marte e Júpiter se encontram em Leão. Que meu coração tenha coragem para agir e mãos abertas para dar.”

  1. No papel, escreva um ato de coragem que você vem adiando, pequeno o bastante para caber nos próximos dias.
  2. Embaixo, escreva um ato de generosidade sem plateia: tempo, ajuda ou atenção para alguém, sem esperar retorno.
  3. Segure o papel diante da chama, a uma distância segura, e diga:

“Que meu fogo aqueça sem queimar e cresça sem se exibir.”

  1. Apague a vela com o abafador, dobre o papel e guarde-o sob o pires.
  2. Anote a data no seu Livro das Sombras.

Segundo tempo: ajustar a escala (18 de novembro, 5 minutos)

  1. Pegue o papel sob o pires, acenda a vela e releia-o.
  2. Pergunte se o ato de coragem cabe no seu tempo, no seu dinheiro e na sua energia. Se cresceu demais, corte até caber.
  3. Diga:

“Diminuo o que inchou e mantenho o que é verdadeiro.”

  1. Apague a vela e guarde o papel de novo sob o pires.

Terceiro tempo: ajustar o impulso (19 de novembro, 5 minutos)

  1. Pegue o papel mais uma vez, acenda a vela e releia-o.
  2. Pergunte se o ato vai abrir caminho ou criar briga. Se envolver outra pessoa, escolha as palavras com calma.
  3. Diga:

“Minha coragem age com cuidado.”

  1. Apague a vela e guarde o papel.
  2. Na Lua Cheia de 24 de novembro, releia o papel e veja o que já foi feito.
  3. Faça os dois atos até o dia 25, antes de Marte entrar em Virgem, às 20h37.

Versão simples

No dia 16, acenda uma vela e escreva um ato de coragem e um ato de generosidade. No dia 18, corte o que estiver grande demais. No dia 19, cuide do tom. Faça os dois atos até o dia 25.

Tira-dúvidas

Júpiter ou Marte estão retrógrados?

Não. Os dois estão diretos no dia 16; as estações retrógradas aparecem nas datas acima.

O Nodo Sul torna o encontro negativo?

Na astrologia moderna, a Cauda do Dragão é associada ao que pede para ser solto, e Lilly a lia, junto de planetas benéficos, como sinal de obstáculos. O rito trabalha esse tema no dia 18, ao cortar o que inchou.

O rito muda conforme o signo de cada pessoa?

Não. O rito acompanha o céu do momento e serve para qualquer pessoa, sem cálculo de mapa.

Que o fogo de Marte e Júpiter em Leão aqueça a sua coragem e abra as suas mãos. Abençoado seja.

Glossário

  • Conjunção: dois astros no mesmo grau do zodíaco, vistos da Terra.
  • Quadratura: aspecto de 90° entre dois astros.
  • Nodo Sul: ponto em que a órbita da Lua cruza a eclíptica rumo ao sul; na tradição, a Cauda do Dragão.
  • Nodo médio e nodo verdadeiro: duas formas de calcular os nodos, uma pela posição média e outra pela posição real da órbita lunar.
  • Retrógrado (℞): movimento aparente de recuo de um planeta visto da Terra.

Bibliografia

CUNNINGHAM, Scott. Guia essencial da bruxa solitária. Tradução: Cláudio Quintino. 4. ed. São Paulo: Gaia, 2001.

LILLY, William. Christian Astrology. London: John Partridge: Humphrey Blunden, 1647.

PTOLOMEU, Cláudio. Tetrabiblos. Edição e tradução: F. E. Robbins. London: William Heinemann; Cambridge, MA: Harvard University Press, 1940. (Loeb Classical Library, 350). Publicado no mesmo volume de: MANETHO. Manetho. Tradução: W. G. Waddell.

Sobre o autor

Fundador e editor do Conhecimento Antigo

Allan Lima é fundador e editor do Conhecimento Antigo. Estuda espiritualidade desde 2007 e criou o site em 2010 para ajudar quem está começando.