Odu Irosun

O Mistério das Profundezas e o Brilho do Cobre

Irosun é o quarto Odu no jogo de búzios (Merindilogun) e o quinto na ordem de chegada do sistema de Ifá (Opele Ifá), onde é conhecido como Irosun Meji. Representado por quatro conchas abertas e doze fechadas no oráculo, este Odu simboliza a terra cavada, as catacumbas, os mistérios do subsolo e o sangue que corre nas veias. É o Odu que "fala das profundezas", representando o repouso dos ancestrais e a necessidade de cautela para que os olhos não se anuviem diante das ilusões do mundo.


Significado Geral

Irosun é um Odu que exige atenção constante à saúde e à espiritualidade. Ele indica que o consulente possui um forte chamado religioso, sendo muito comum que as pessoas regidas por esta caída ocupem cargos de liderança espiritual no Axé, como Babalorixá, Iyalorixá, Ogã ou Ekéde. É um Odu de mistérios e mediunidade aguçada.

Na sua fase positiva (Aláfia), Irosun traz um futuro brilhante, superação de doenças graves, alívio para caminhos fechados e a conquista de cargos de chefia tanto na vida religiosa quanto profissional. Na sua fase negativa (Ono), quando se posiciona à esquerda ou está em desequilíbrio, ele traz o prenúncio de calúnias, injustiças provocadas por espíritos de antepassados (Egungun), falsidade no ambiente familiar, acidentes graves e escassez de recursos provocada pela teimosia.


Dados Esotéricos e Elementos

  • Representação Esotérica: Uma espiral, dois círculos concêntricos ou a representação de um buraco/cavidade na terra (DO).

  • Sentido Cardeal: Nordeste.

  • Sexo: Masculino.

  • Elemento: Fogo sobre a Terra (com predominância do fogo, indicando escassez e a necessidade de parcimônia para atingir metas).

  • Partes do Corpo Regidas: Os olhos e a visão, o coração e o sistema circulatório, a coordenação motora, a coluna vertebral, o estômago e o ventre.

  • Símbolos: Os metais vermelhos (cobre, bronze e ouro), o pó vermelho (Osun) e a corda de sisal.


Regentes e Orixás que Falam por este Odu

Irosun carrega em sua essência a justiça decidida e o equilíbrio do Ori, contando com a regência e influência de Orixás de grande fundamento:

  • Iemanjá: A regente principal na caída, que traz a justiça, a decisão e o equilíbrio da cabeça (Ori).

  • Omolu / Obaluaiê: Rege o lado da terra, as catacumbas e a saúde, trazendo tanto a provação quanto a cura de doenças difíceis.

  • Oxalá: Intervém para trazer paz, alívio, proteção e misericórdia ao consulente.

  • Xangô e Oyá (Iansã): Atuam para defender o consulente contra calúnias e para movimentar as energias estagnadas.

  • Egun: Os ancestrais têm voz ativa neste Odu, exigindo respeito, culto e atenção para que não causem entraves na vida dos vivos.


Traços de Personalidade (Os Filhos de Irosun)

Os indivíduos nascidos sob a regência de Irosun são místicos por natureza e profundamente ligados ao mundo espiritual.

Aspectos Positivos

São pessoas generosas, sinceras, sensíveis e extremamente intuitivas. Possuem grande habilidade manual e talento para o comércio e vendas. São trabalhadores realizadores, orgulhosos de suas conquistas e sempre dispostos a ajudar quem precisa. Quando em equilíbrio, possuem uma presença magnética e um futuro brilhante reservado pelo Axé.

Aspectos Negativos

Podem ser excessivamente teimosos, orgulhosos e autoritários. Deixam-se dominar pela cólera com facilidade. Têm grande dificuldade em guardar segredos (exceto quando lhes convém) e sofrem por falar demais. São propensos a atrair falsos amigos, sofrendo com ingratidão e traições amorosas ou profissionais. Frequentemente se mostram indecisos e inseguros diante de grandes decisões.


Proibições e Preceitos (Ewós)

Para neutralizar o lado negativo e perigoso de Irosun, quem é regido por este Odu ou o recebe no jogo deve seguir rigidamente estes preceitos:

  • Restrições Alimentares: É proibido comer a carne de galo. Não se deve chupar ou roer ossos de animais, principalmente os ossos da cabeça. Evitar frutas e cereais de cor vermelha viva.

  • Comportamento e Vestuário: Não usar roupas ou objetos inteiramente vermelhos. É terminantemente proibido o porte desnecessário de facas ou punhais. Não se deve comentar planos e projetos com ninguém antes que se realizem.

  • Ações Proibidas: É proibido saltar sobre valas, buracos, fossas ou caminhar por áreas de manguezal. Caso isso seja inevitável, a pessoa deve imediatamente realizar uma limpeza de corpo. É vedado o envolvimento sexual com filhos de Xangô ou de Omolu em determinadas fases rituais.


Rituais de Limpeza e Atenção

Irosun exige cuidados minuciosos com a visão, com o estômago e com a proteção espiritual contra feitiços:

  • Proteção Imediata no Jogo: Sempre que Irosun surge em uma consulta, o sacerdote deve passar imediatamente pó de Efun (giz branco sagrado) três vezes sobre as pálpebras do consulente para neutralizar os malefícios da cor vermelha e clarear a visão espiritual.

  • Defumação: Utiliza-se pó de café, alecrim seco e sementes de girassol para atrair prosperidade e afastar a influência de Eguns negativos.

  • Banho de Folhas: Banho de flor de laranjeira, alecrim e manjericão para acalmar o Ori e trazer clareza mental.

  • Agradecimento/Oferenda de Alívio: Oferecer ao Odu 4 acaçás brancos, 4 velas brancas, 4 bolas de farinha de mesa, 4 ovos e 4 moedas correntes. Passa-se os elementos levemente pelo corpo e entrega-se em um buraco na terra ou na raiz de uma árvore, mencionando o nome de Irosun para que ele leve embora as doenças e a miséria.


Lenda (Itan) de Irosun

Houve um tempo em que a humanidade vivia na mais absoluta miséria e cegueira espiritual. Os homens caminhavam pela terra sem enxergar os perigos à sua frente e frequentemente caíam em buracos e valas, onde pereciam sem socorro.

Um homem piedoso, vendo o sofrimento de seu povo, resolveu consultar um Oluô. O sacerdote jogou os búzios e Irosun respondeu. O Odu exigiu que o homem fizesse um Ebó para afastar a morte prematura e a escuridão dos olhos. O homem, em sua pobreza extrema, fez o sacrifício com o pouco que tinha.

Após o ritual, ele se retirou para um lugar isolado no mato para acender o fogo sagrado. Enquanto cuidava do lume, colocou sementes e pimentas vermelhas para defumar o espaço, e a fumaça densa acabou atingindo seus próprios olhos. O homem começou a chorar e a sofrer com a ardência, mas permaneceu firme, cumprindo o preceito.

Naquele exato momento, o príncipe daquela terra passava por perto. Ao ver o homem naquele estado de sacrifício e choro espontâneo, o príncipe foi tocado pela compaixão. Ele se aproximou e perguntou o motivo de tamanha provação. O homem explicou que estava cumprindo o que o Odu Irosun determinara para salvar a si mesmo e ao seu povo das catacumbas e da miséria.

O príncipe, admirado com a fé e a resiliência daquele homem, ordenou que seus servos lhe entregassem uma enorme fortuna em ouro, cobre e bronze. Com esses recursos, o homem não apenas mudou sua própria vida, mas também ajudou toda a sua aldeia a prosperar.

Foi através de Irosun que os homens aprenderam que, mesmo quando os olhos ardem e o caminho parece cavado de dificuldades, a perseverança e o respeito ao sagrado trazem o brilho do ouro e a visão da vitória.

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