Odu Obará

Escrito por Allan Lima.

O Rei da Riqueza e o Vento da Prosperidade

Obará é o sexto Odu no jogo de búzios (Merindilogun) e o sétimo na ordem de chegada do sistema de Ifá (Opele Ifá), onde é conhecido como Obará Meji. Representado por seis conchas abertas e dez fechadas no oráculo, este Odu é considerado um dos mais prósperos e auspiciosos de todo o sistema divinatório. Ele simboliza a realeza, a transformação repentina, o fim da miséria e a elevação espiritual e material por meio da inteligência e do uso correto da palavra.


Significado Geral

Obará é o Odu da superação dos estados de penúria para a conquista de grandes riquezas. Ele carrega a premissa de que a mente humana é o maior recurso existente; por isso, quando este Odu se manifesta, ele indica que o consulente tem a capacidade de transformar situações de extrema escassez em grande fartura.

Na sua fase positiva (Aláfia), Obará prenuncia a chegada de dinheiro inesperado, o sucesso em grandes negócios, a resolução de problemas financeiros complexos, a ascensão a cargos de liderança e a realização de projetos ambiciosos. Na sua fase negativa (Ono), ele alerta para os perigos da soberba, da ostentação vazia, do desperdício, da fofoca e da calúnia. Ele avisa que o consulente pode ser vítima de inveja severa por conta de seu brilho, ou que sua própria vaidade pode levá-lo à falência.


Dados Esotéricos e Elementos


Regentes e Orixás que Falam por este Odu

Obará é um Odu de energia expansiva, governado por divindades da realeza, do comércio e do movimento:


Traços de Personalidade (Os Filhos de Obará)

Os filhos de Obará são indivíduos marcantes, cuja presença transmite autoridade, inteligência e um carisma inigualável.

Aspectos Positivos

São pessoas alegres, comunicativas, persuasivas e com um faro aguçado para os negócios. Possuem uma criatividade fora do comum e não se curvam diante das dificuldades: quanto maior o desafio, maior a sua força para vencer. São generosos, adoram compartilhar sua fartura e têm facilidade para se tornarem líderes e conselheiros respeitados em suas comunidades.

Aspectos Negativos

Podem ser extremamente orgulhosos, prepotentes e arrogantes quando estão no topo. Têm uma forte tendência a ostentar o que possuem e a contar vantagens, o que atrai inimigos e inveja. São teimosos e têm grande dificuldade em admitir quando estão errados. Se caem na miséria, podem se tornar mentirosos ou manipuladores para manter as aparências.


Proibições e Preceitos (Ewós)

Para que o Axé de Obará se mantenha firme e a riqueza não se esvaia, seus filhos e consulentes devem seguir rigorosamente estes preceitos:


Rituais de Limpeza e Atenção

Quando Obará surge no jogo de búzios, o sacerdote deve imediatamente realizar limpezas para afastar a inveja e preparar os caminhos para a fartura:


Lenda (Itan) de Obará

Houve um tempo em que os dezesseis Odus viviam na Terra e passavam por uma fase de grande escassez. Todos estavam pobres, maltrapilhos e sem prestígio entre os homens. Obará era o mais humilde de todos; morava em uma pequena choupana de palha afastada e mal tinha o que comer. Por conta disso, seus quinze irmãos mais velhos o desprezavam e riam de sua pobreza.

Um dia, os quinze irmãos decidiram ir até a casa de um grande Oluô para consultar o oráculo e saber quando a sorte retornaria. Obará não foi convidado. Após a consulta, os irmãos resolveram visitar o palácio de Alafin Oyo (Xangô) para pedir ajuda. Xangô os recebeu com banquetes e festas.

No momento da despedida, Xangô, percebendo a ganância e a falta de união dos irmãos, entregou a cada um deles uma abóbora como presente de viagem. Os irmãos acharam aquele presente insignificante e pesado. No caminho de volta, cansados de carregar as abóboras e zombando do presente do Rei, decidiram passar na humilde choupana de Obará apenas para passar a noite.

Obará os recebeu com enorme alegria e respeito. Como não tinha quase nada para alimentá-los, pegou o pouco de milho que possuía e preparou uma farta refeição para seus irmãos. Na manhã seguinte, os irmãos, agradecidos pela hospitalidade mas ainda desprezando Obará, decidiram deixar todas as suas abóboras na choupana dele para não terem o trabalho de carregá-las.

Sozinho novamente, e com muita fome, Obará decidiu abrir uma das abóboras para cozinhar. Para o seu espanto, ao cortar o fruto, centenas de moedas de ouro, pedras preciosas e búzios valiosos rolaram pelo chão. Desesperado de alegria, ele abriu as outras quatorze abóboras e encontrou uma fortuna inimaginável em todas elas.

Obará comprou terras, cavalos, construiu um palácio e tornou-se o homem mais rico daquela região.

Semanas depois, os quinze irmãos voltaram para pegar as abóboras, pois souberam que Xangô havia escondido sua riqueza dentro delas. Ao chegarem, encontraram Obará vestido como um rei. Ele os recebeu com um grande banquete e disse: "O que vocês desprezaram como peso, eu acolhi como presente. A riqueza estava diante dos seus olhos, mas a soberba de vocês não os deixou enxergar".

A partir daquele dia, todos os Odus se curvaram diante de Obará, reconhecendo que ele é o verdadeiro senhor da fartura e que a humildade aliada à generosidade abre as portas dos maiores tesouros do mundo.

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